Hoje um amigo meu faria anos... 38 anos... não fosse a vida dele ter acabado no início deste ano! :((
Hoje recordo-o.
Não que fôssemos grandes amigos, mas fomos amigos, mesmo estando anos sem nos vermos - a velha história de crescermos, casarmos, termos filhos e ficarmos sem tempo para o convívio pelo simples sentido do convívio.
Conhecemos-nos no liceu. Éramos um grupo enorme. Uns com mais confiança, afinidades e interesses entre eles, como é natural, mas todos, todos éramos amigos, não simples conhecidos. Estávamos lá uns para os outros... para o bom e para o mau.
Foram anos e anos assim.
Uns eram mais namoradeiros do que outros e traziam os(as) namorados(as) para o grupo e habituamos-nos a ver muitos namorados(as) a irem e virem, mas o grupo manteve-se sempre.
Quando os namoros eram sérios, todo o grupo dava "palpites", não no mau sentido, mas como irmãos que avaliavam se os(as) namorados(as) serviam para os(as) nossos(as) amigos(as) ou não! lololol
Éramos assim... amigos saudáveis, penso eu. Uma família de amigos.
Depois a escola acabou. Uns foram para a universidade, outros trabalhavam e embora mantivéssemos contacto uns com os outros, começou a haver um afastamento que eu costumo chamar de "afastamento inevitável" - por muito que consigamos manter o contacto com as pessoas, a dita vida de adulto já não permite as longas tardes e noites na conversa entre todos: os horários de trabalho, os deveres com as nossas casas que são mantidas por nós... inevitável.
Mas este grupo manteve-se, apesar de tudo, mantivémos o contacto, eu com mais 3 ou 4 pessoas, outros com outras 3 ou 4 pessoas, e se algum de nós não estava bem, encarregavamos-nos de "juntar" as tropas.
Afastamento inevitável mas sempre em contacto.
No início deste anos, dia 17 de Janeiro mais precisamente, recebo uma chamada no telemóvel a dizer que o H. estava na pesca, à beira do rio Tejo, teve um ataque de epilepsia e caiu ao rio. Estava desaparecido!!!!!
Porra pá, que cena é esta?!?!?!
Levou 15 dias para o corpo aparecer. No outro lado da margem.
Nesta espera e apesar de todos acharmos que já não o encontrariam com vida, confesso-vos que é difícil acreditarmos nisto quando não há um corpo... talvez seja um desejo, talvez seja a esperança, não sei...
O corpo apareceu. Sei que assim a família pode "descansar".
Deixou mulher e um filho de 4 anos. Pais, irmã, tios, amigos... amigos que o adoravam...
Hoje recordo-o. Com saudade.
Com saudade dos nossos tempos de liceu.
Com saudade do riso matreiro que tinha.
Com saudade do bom humor que tinha.
Com saudade do sorriso que tinha.
Um sorriso muito particular.
Parabéns, H. Onde quer que estejas....


1 comentários:
Muito obtigada.
adorei o texto
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